A paixão pela amarelinha e os torcedores mirins
Uma das primeiras lembranças que tenho de minha infância, certamente a primeira relacionada a futebol, data de quando tinha apenas oito anos: 30 de Junho de 2002. Estava com meus pais e meus tios em casa e posso ser preciso nos números graças ao que esta data representou. Foi nesse dia, no Estádio Internacional de Yokohama, que o Brasil venceu a Alemanha por 2 a 0 e se sagrou penta campeão mundial.
Aquela foi a primeira e única Copa sediada no continente asiático e aconteceu na Coréia do Sul e Japão. Foi também a minha primeira Copa como torcedor e com os olhos vidrados na TV. Não vou mentir e dizer que me lembro do decorrer do jogo decisivo, mas minha memória passa por dois momentos cruciais: os gols e a comemoração final.
Lembro-me dos dois tentos marcados pelo Brasil, em especial do primeiro, em que Ronaldo pega o rebote de Oliver Kahn no chute de Rivaldo. Lembro de ter ficado chateado durante algum tempo por saber que o alemão havia vencido o prêmio de melhor jogador da Copa, mesmo antes de a final acontecer. Depois do apito do juiz, a festa foi enorme, muito por conta da decepção e sofrimento que 98 representou para os brasileiros e pela forma como a Seleção conseguiu a classificação para o Mundial na ultima rodada das Eliminatórias, vencendo a Venezuela.
No meio de toda a alegria daquele povo e depois de ser jogado para o alto diversas vezes, recordo-me de um pensamento que passou por minha cabeça: “É claro que ganhamos, Deus não permitiria que fôssemos derrotados”. Evidente que aquela altura eu não tinha base para crença religiosa de tipo algum, mas por mais absurdo que aquela afirmação possa soar, à época ela fez todo o sentido.
